A partir da semana que vem, motoristas poderão modificar suspensão dos carros, mas terão de passar por avaliação
Duas resoluções do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que atingem diretamente os proprietários de veículos, passam a vigorar a partir de 1º de maio. A resolução 261 regulamenta a homologação de veículos, isto é, a criação de uma nova marca ou modelo. Já a resolução 262 determina as regras gerais para a modificação dos veículos, como suspensão, faróis e a colocação de outros acessórios.
Ambas as resoluções modificam a resolução número 25 do Contran. A maior novidade dos novos documentos é que, a partir de 1º de maio, será permitido ao proprietário modificar a suspensão do veículo, dentro de determinados limites e depois de análise das Instituições Técnicas Licenciadas (ITLs) pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran)
Segundo a funcionária do Contran Jaqueline Costa, as novas resoluções possuem anexos, com o objetivo de detalhar cada modificação no automóvel ou, no caso de homologação, determinar as características do novo veículo. "O processo continua praticamente o mesmo. O proprietário deve levar o veículo para uma oficina e fazer as modificações que desejar, depois deve levá-lo a uma ITL, devidamente credenciada pelo Detran. Essa instituição fará a avaliação das condições de segurança do veículo e poderá expedir o Certificado de Segurança Veicular (CSV)", afirma. Ainda de acordo com Jaqueline, a CSV deverá andar sempre com o motorista do automóvel. Por meio dele, o Detran fica livre para incluir as configurações do veículo em seu sistema.
Com relação à homologação de novos veículos, Jaqueline afirma que o processo deve ser comunicado ao Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). Segundo ela, normalmente essa homologação acontece quando a pessoa cria um novo veículo, muda sua estrutura ou mesmo quando o indivíduo importa um carro que não existe no Brasil. "Se esse proprietário decidir, por exemplo, acrescentar novos assentos em seu veículo, precisará fazer essa homologação", completa.
Agradou
As novas resoluções do Contran agradaram aos proprietários de veículos alterados, principalmente com relação à possibilidade de rebaixamento dos carros. Em Governador Valadares, segundo o mecânico Paulo Henrique Alves, é grande o número de carros modificados, seja na suspensão, nos faróis, nas maçanetas e em diversos outros acessórios.
De acordo com ele, a nova resolução vem para legalizar um hábito que já acontece, que é a modificação da suspensão dos automóveis. Ele afirma que acha necessário que os veículos sejam avaliados pelas Instituições Técnicas Licenciadas, pois isso garante a segurança do motorista.
"Um carro que é alterado em sua suspensão passa a oferecer diversos riscos para o motoristas, pois é mais difícil de dirigir e desgasta muito mais rápido, além de aumentar o gasto com gasolina, em função do maior cuidado com a velocidade", afirma. Para Alves, o carro com pouca suspensão "quica" muito durante as viagens e fica excessivamente duro, por isso é perigoso.
O único benefício que um carro com a suspensão modificada traz, segundo o mecânico, é a questão estética. "Atualmente, existem muitos acessórios para modificar os carros. Um, que é recente, é o farol ‘xenon’, muito mais potente e bonito", explica. Segundo Alves, grande parte dos jovens que acabam de adquirir um carro novo vai para a oficina modificar a suspensão e o escapamento.
Na oficina em que Alves trabalha e da qual é proprietário, segundo ele, são feitas cerca de duas alterações semanais em suspensões de veículos. "Se a alteração for baseada em critérios de segurança, como vidro neon e blindagem, ela é extremamente funcional. Se a modificação for apenas estética, normalmente pode oferecer algum risco", avalia.